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O que tem além do horizonte?

 Já faz um bom tempo que queria voltar a escrever. Não apenas porque eu amo ver as palavras se formando na folha do meu papel a medida que eu vou escrevendo, mais porque escrever é como uma válvula de escape pra mim. É onde eu sinto que posso colocar pra fora todas as minhas vontades, desejos, frustações, pensamentos… É como ter uma imensa e profunda conversa comigo mesma e isso me ajuda a me compreender melhor. E eu ainda tenho tanta coisa pra compreender do que me aconteceu nesses ultimos anos.

Porém mais dificil do que compreender os meus sentimentos ultimamente tem sido tirar as palavras da minha cabeca e as colocar em um papel. Eu sempre me senti como se as palavras fossem a minha melhor amiga mas ultimamente parece que elas viraram as costas para mim. Nunca foi tão dificil escrever como esta sendo agora.

É um novo tempo, uma nova era.

Essa globalização e os avanços que a internet trouxe está nos empurrando para uma vida super digital, tão digital que eu nem tenho certeza se alguém se dará  ao trabalho de ler este texto. O consumo de “leitura” mudou e a nova onda é ter um vlog ou fazer posts contínuos nos stories do Instagram. O que me parece ser muito mais fácil e mais rápido. Então eu pergunto, onde estão as palavras? Aquelas escritas com tinta?

As pessoas dizem que uma foto diz mais do que mil palavras, e talvez seja até verdade. Mais eu ainda sou daquelas que preferem as tais mil palavras. Como era maravilhoso usar a minha imaginação – que dependendo do assunto chegava até a aguçar os meus sentidos – para captar a mensagem que um simples texto tentava me descrever. Era bom, era natural, era encantador, até um pouco sedutor.

Tenho saudades do passado.

Eu não nasci na era da internet e nem dos smartphones. Eu cresci lendo livros, revistas e jornais. E a coisa mais tecnólogica que tinha na minha sala era uma TV a cores e mais tarde um aparelho de VHS. Eu mandava cartas para os meus amigos e parentes, hoje as pessoas mandam DMs. É dificil se ajustar a essa era tecnológica mas eu sei que é extremamente necessário.

O que antes era usado apenas para diversão hoje se tornou quase que vital para a construção de uma geração inteira. E quer eu goste ou não eu estou no meio dessa transição. E vou te dizer, me sinto completamente assustada.

Foto de Luciana Nogueira
Afinal, o que é que as pessoas procuram para ler, como elas se conectam e o que elas consideram ser de qualidade?

A ditadura pelos números que a internet impoe está ficando cada vez pior. Tudo o que importa são os números de likes, de views, comentários… Parece que não importa muito o que está sendo dito, desde de que continue sendo dito qualquer coisa – mesmo sem nenhum conteúdo.

Eu lembro do dia que visitei um jornal pela primeira vez e como levava-se dias para se escrever um único artigo. Hoje espera-se que em uma tarde você entregue quatro ou cinco artigos – podem ser curtinhos e sem muito embasamento – desde que sejam entregues. Editoriais de moda que levavam uma tarde inteira de reunião para serem pensados, hoje é possivel que meia duzia de selfies resolvam. Eu posso estar exagerando um pouco, mais toda essa pressa por qualquer tipo de conteúdo não é o que eu quero.

Qual vai ser o meu futuro?

Eu ainda não sei qual caminho eu vou seguir por qui, mais eu sei bem pra quem e o que eu quero dizer. Agora, quais serão os meios? Bem… isso já é uma segunda incógnita, mas eu posso te afirmar que eu vou tentar transformar tudo o que eu puder em palavras que sejam escritas. E se elas vão receber a mesma atenção que uma selfie receberia no feed do instagram não me importa, desde que eu tenha pelo menos uma leitora já vai super valer a pena gastar uma tarde inteira olhando para o meu papel em branco.

Então agora é pra valer. Vamos começar?


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